quinta-feira, 11 de junho de 2009

Entre Corvos e Pombos


E soltou um corvo, que saiu, indo e voltando, até que as águas se secaram de sobre a terra. Depois soltou uma pomba, para ver se as águas tinham minguado de sobre a face da terra. A pomba, porém, não achou repouso para a planta do seu pé, e voltou a ele para a arca; porque as águas estavam sobre a face de toda a terra; e ele estendeu a sua mão, e tomou-a, e recolheu-a consigo na arca. E esperou ainda outros sete dias, e tornou a enviar a pomba fora da arca. E a pomba voltou a ele à tarde; e eis, arrancada, uma folha de oliveira no seu bico; e conheceu Noé que as águas tinham minguado de sobre a terra. Então esperou ainda outros sete dias, e enviou fora a pomba; mas não tornou mais a ele.” (Gênesis 8:7-12)

E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. (Mateus 3:16) Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas. (Mateus 10:16) Corvos e pombos têm algo em comum: ambos voam, ambos constroem ninhos e ambos foram utilizados como mensageiros em ocasiões da Bíblia.

No entanto, corvos eram utilizados em momentos críticos, onde a esperança parecia desvanecer dos olhos do povo. Eles indicavam tempos de dificuldade. Aves de rapina, corvos não costumam caçar, comem de tudo, mas se alimentam principalmente do que é morto. Não costumam voar para muito longe, não migram planeta a fora, são agressivos e tem medo do homem, a ponto de espantalhos com aspecto humano serem suficientes para mantê-los afastados dos milharais.

A Bíblia cita cidades arrasadas pelo desígnio divino como lares de corvos – que se alimentariam das carcaças que ali restavam. Já a simbologia dos pombos lhes é mais favorável. Até hoje são utilizados para indicar momentos de virada, em que floresce a esperança nos olhos do povo, em que há claros sinais de uma mudança para melhor, superior. São ainda comuns as revoadas de pombos em momentos apoteóticos de grandes celebrações.

Eles são essencialmente herbívoros, preferindo grãos em sua dieta. Algumas variedades são migratórias: vão de um ponto a outro do planeta, em busca de temperaturas agradáveis e alimento farto. São em geral pacíficos. São famosas certas praças ao redor do mundo onde bandos de pombos se ajuntam em meio ao povo, como se não tivessem o que temer dos homens, vindo mesmo a bicar os grãos nas mãos de maravilhadas crianças.

Não foi equivocada a escolha de Noé por primeiro enviar um corvo e só depois uma pomba para avaliar o estado da Terra pós-dilúvio: antes esperava-se um cenário de destruição boiando nas águas e só depois algum indício de terra seca onde a Arca pudesse pousar. Da mesma forma, no Reino de DEUS, atuamos por vezes como esses dois tipos de mensageiro.

A minha pergunta é: Que tipo de mensageiro você quer ser no Reino de DEUS?

1. Escolhemos que mensageiro queremos ser a cada missão recebida. A Palavra de DEUS nos fala de um profeta cujo nome tinha um significado diretamente ligado à sua função: Jonas, filho da Amitai. Se traduzirmos os nomes do hebraico para o português, teríamos: O pombo (Jonas, Yonah), filho da Minha Verdade (Amitai). É como se fôssemos remetidos aos dias de Noé, quando este enviara uma pomba em busca da verdade sobre o que acontecia na Terra pós-diluviana.

O profeta Amitai, ao escolher o nome do seu filho, como que profetizou sobre a vida do mesmo, que mais tarde viria a ser mensageiro de boas novas, conforme lemos em 2 Reis 14.25: “Também este restituiu os termos de Israel, desde a entrada de Hamate, até ao mar da planície; conforme a palavra do Senhor Deus de Israel, a qual falara pelo ministério de seu servo Jonas, filho do profeta Amitai, o qual era de Gate-Hefer.” Face às boas novas da qual fora o portador, Jonas certamente apreciava ser um profeta de DEUS. Há, de fato, prazer em se poder comunicar boas novas vindas do Trono de DEUS para os homens.

Jonas havia de se julgar um privilegiado por ser um profeta de DEUS e ter tido a honra de ser o canal de tão boas novas. Mais que isso: Jonas havia de se julgar íntimo e agradável aos olhos de DEUS por tão grande honra concedida. Conosco também é assim: apreciamos quando nosso superior nos confere missões de honra. Mas como nos comportamos quando a missão, ainda que voltada para o bem e comissionada por DEUS, é desagradável aos nossos olhos?

Jonas teve uma reação adversa a uma missão que lhe fora dada por DEUS, conforme está em Jonas 1:1-3:“E veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até à minha presença. Porém, Jonas se levantou para fugir da presença do Senhor para Társis. E descendo a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem, e desceu para dentro dele, para ir com eles para Társis, para longe da presença do Senhor.” Que decepção! DEUS o mandava pregar uma mensagem de arrependimento aos inimigos do seu povo! Nesse momento, em seu coração, Jonas começou a se converter de pomba (Yonah) em corvo (‘Oreb).

2. Escolhemos que mensageiro queremos ser de acordo com a nossa visão. Enquanto profetizava para o povo de DEUS, Jonas se julgava um privilegiado. Quando recebeu a incumbência de pregar o arrependimento a um povo infiel, colocou-se ACIMA da missão que o próprio DEUS lhe dera. Note que Jonas não duvidou que a missão lhe fora dada por DEUS – ele simplesmente não quis se rebaixar, não quis correr risco e ter que pregar aos ímpios ninivitas. A visão de Jonas era a de um profeta comissionado exclusivamente para o povo de DEUS. Portanto, ele só aceitava profetizar para os “salvos” judeus. Ao fugir de sua missão, Jonas, o pombo, afastou-se de DEUS e tornou-se um mensageiro corvo (‘Oreb), contrário ao seu próprio nome.

Jonas perdera sua visão sobre os propósitos de DEUS para sua vida. Prossigamos no raciocínio, agora caminhando no chão dos nossos dias: A visão de Jesus para a igreja é “Ide e fazei discípulos”, não “Ide e pregai aos mesmos de sempre”. Ademais, Igreja significa “os que saem para fora”. Se não saímos do nosso quintal, se insistimos em ficar voando em torno da arca em vez de buscar a folha de oliveira, renegamos a nossa própria missão e é como se fugíssemos de DEUS, como Jonas, agora um mensageiro corvo. Em Mateus 12:39-41, vemos o que Jesus Cristo fala acerca de um povo que se volta a si mesmo e se recusa a pregar para os ímpios para que estes venham TAMBÉM a ser salvos: “Mas ele lhes respondeu, e disse: Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém, não se lhe dará outro sinal senão o sinal do profeta Jonas; pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra. Os ninivitas ressurgirão no juízo com esta geração, e a condenarão, porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis que está aqui quem é maior do que Jonas.”

3. Escolhemos que mensageiro queremos ser de acordo com a nossa fé. Jonas renegou o próprio nome ao escolher se desviar de sua missão. Perdeu a visão, pois não tinha fé no poder de DEUS para converter os ninivitas. Confiava mais na sua própria capacidade limitada para somente profetizar aos mesmos de sempre, do que na capacidade de DEUS para agir sobre sua vida e converter os ninivitas dos seus caminhos maus. Jonas estava tão cego e sem fé que sequer percebeu que estava desafiando o próprio DEUS que o tornara profeta. Ele teve de aprender pela dor que DEUS não é onipotente, onipresente e onisciente só sobre o povo escolhido, mas o é sobre tudo e sobre todos! DEUS resolveu humilhar o mensageiro corvo e reconduzi-lo à sua condição de mensageiro pombo.

4. Escolhemos que mensageiro queremos ser quando buscamos sinceramente retomar a nossa missão original. Aprisionado no estômago do grande peixe, Jonas, ainda corvo, se arrependeu e foi perdoado, voltando a ser pombo. Só então pode retomar o cumprimento da sua missão. Libertado das entranhas do grande peixe, achou-se na praia, que pelo indicado nos mapas, ficava a quilômetros de Nínive. Mesmo arrependido e liberto, Jonas teve ainda que caminhar aquela grande distância, depurando seus pensamentos, até que chegou a Nínive e pregou o arrependimento aos seus inimigos.

Eis o paradoxo do pombo-corvo: a mensagem pregada surtiu efeito e aquele povo se arrependeu. DEUS não mais mandaria a saraiva de fogo por sobre aquelas cento e vinte mil almas! No entanto, Jonas ainda estava tão impregnado de sua soberba que mesmo obedecendo a DEUS e presenciando a conversão miraculosa dos ninivitas, revoltou-se novamente contra os desígnios de DEUS e foi purgar suas frustrações no deserto. O propósito de DEUS era levar os ninivitas ao arrependimento. A vontade de Jonas era vê-los ardendo sob uma saraiva de fogo, como a que acometeu Sodoma e Gomorra.

Assim também é com quem jura que ora por missões, mas não se envolve com o sustento missionário. Assim também é com quem jura que ora pelos desvalidos e sem-teto, mas não se envolve com as “madrugadas de carinho”. Assim também é com que jura que quer ver o traficante convertido aos caminhos de DEUS, mas é incapaz de ir ter com ele e pregar-lhe o evangelho nas vielas apertadas das comunidades pobres. Assim também é com quem sonha ver a igreja cheia de gente louvando a DEUS, mas tem horror a convidar o estranho sentado no mesmo banco do trem ou do ônibus a visitar sua igreja. Mesmo obedecendo, Jonas continuou sem visão, apesar de ter fé. Quem prega, prega primeiro a si mesmo e depois aos outros. Meu DEUS, por quantas vezes temos sido corvos com penas de pombos? Alguém pode até perguntar: Como é possível ter fé e não ter visão? Basta olhar para Jonas, o pombo que preferiu ser corvo.

Que DEUS tenha misericórdia de nós. Amém.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Martin Luther King

Nascido em 15.01.1929

Morto em 04.04.1968



"Mais cedo ou mais tarde todos os povos do mundo terão de descobrir um modo de viver juntos em paz, e por meio disso transformar esta elegia cósmica inacabada em um salmo criativo de fraternidade. Eu recuso aceitar a visão de que a humanidade é tão tragicamente atada à uma meia-noite sem estrelas de racismo e de guerras que a aurora brilhante da paz e da fraternidade nunca possa tornar-se uma realidade. É por isso que o direito, temporariamente derrotado, é mais forte do que a maldade triunfante." (1964)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Faixa de Gaza


O povo palestino padece horrores. Bertolt Brecht afirmou: "Do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o oprimem".Quem conseguiria não reagir diante de grande opressão? Os palestinos vivem sem comida, sem o direito de ir e vir, sem trabalho, espremido numa faixa que mais parece um grande cortiço. Sim, há ódios antigos, mas eles reagem porque paz não existe sem justiça.
O governo de Israel promove um massacre absurdo sobre um povo geometricamente menos poderoso. Mas faz porque tem o respaldo dos Estados Unidos e conta com o silêncio corrupto dos países árabes. A imprensa mundial está proibida de entrar na Faixa de Gaza. Quando Israel veta a imprensa mundial de testemunhar o que acontece ali, tudo fica muito suspeito. Será que o seu objetivo último não seria fazer uma limpeza étnica, ver-se livre de um povo que o odeia, sem ser denunciado pelo mundo livre? Como sou líder de uma comunidade cristã, horrorizo-me com os evangélicos, que mais uma vez sustentam a leitura simplória da Bíblia que sempre fizeram. Para se manterem coerentes, apóiam um exército profissional numa carnificina sem precedentes. Tenho vergonha dos crentes! Já recebi e-mails celebrando as bombas como sinal da volta de Cristo (certamente eleitas pelo Divino), com direito a Aleluia, e acompanhados do mais abjeto chavão: "Deus está no controle"!
Sei de todos os argumentos, não sou ingênuo. Sobram explicações que legitimam o direito de um povo trucidar o outro. Os mortos das valas comuns, que entulham a história, foram enterrados com tais explicações. Para mim, basta um argumento, o de Jesus Cristo: "Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo'. Mas eu lhes digo: 'Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus'" - Mt.5.43).
Violência só acrescenta ira ao ódio, para gerar mais morte. Não, não aprovo que os palestinos disparem foguetes, não concordo com o terrorismo (religioso ou de Estado), não faço vista grossa à ira fundamentalista islâmica que busca jogar Israel no meio do mar. Contudo alguém tem que quebrar o ciclo perverso da vingança. Sugiro que o mais forte comece. Só isso

Pastor Ricardo Gondim

terça-feira, 6 de janeiro de 2009


E postada assim frente ao oceano imenso e o céu infindo, diante dos quais as palavras são meras palavras, recordo o salmo que diz: permanece em silêncio e conhecerás o teu Deus. Vale dizer, permanece em silêncio e apascentarás a tua dor, porque na tua fé em teu Deus encontrarás o consolo de todas as tuas mágoas, de todo o teu pesar. E te bastarás.


Elisa Lispector
In: Corpo-a-corpoRio de Janeiro: Edições Antares, 1983p. 56

As qualidades de Jesus


“Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que com simplicidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria carnal, mas na graça de Deus, temos vivido no mundo, e de modo particular convosco”. 2 Coríntios 1:12


AUTORIDADE: Desde de pequeno foi um homem de Autoridade, pregou aos doutores da lei; Curou, libertou, sempre reconhecendo a autoridade em si mesmo. “Porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas”. Mateus 7:29 “Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu criado: Faze isto, e ele o faz”. Mateus 8:9 “Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados (disse então ao paralítico): Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa”. Mateus 9:6


AMOR: Acho que o que mais marcou em Jesus; o AMOR. Como é grande esse amor; como é bom esse amor. O verdadeiro Amor; o de Coríntios 13! Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará. Lucas 9:24 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. 1 Coríntios 13:2


PACIÊNCIA: Acho que um dos maiores inimigos dos cristãos de hoje, muitas vezes incluindo eu, com certeza, pois não sou perfeito mas tenho buscado a perfeição. Mas Jesus era paciente, soube ouvir; soube levar, soube sofrer! Grande Exemplo. “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência”, Romanos 5:3


FIDELIDADE: Fiel e Justo; Jesus foi fiel ao Pai, lutou, resitiu, não teve pecados, não se sujou com a lama do mundo, mas veio ao mundo para que nós vivessemos e vivessemos em abundância. E nós, mesmo sendo infiéis em algumas situações Deus continua Fiel conosco! “E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?” 2 Coríntios 6:15 “E desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao SENHOR”. Oséias 2:20 _________________________________________________________

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz 2009




"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente."


Carlos Drumond de Andrade

domingo, 28 de dezembro de 2008

Natal festa pagã ou Cristã


A verdade acerca do Natal
Revista Restauração
Publicação: 10/12/2008


As crianças haviam montado o presépio e aguardavam ansiosamente pela vinda do Papai Noel carregado de presentes. Ao amanhecer do dia 25 de Dezembro, encontraram uma grande quantidade de pacotes com brinquedos e doces debaixo de uma cintilante árvore de Natal! Seus pais lhes disseram que todos aqueles presentes foram trazidos por Papai Noel durante a noite enquanto dormiam. Por acaso as crianças duvidaram daquilo que seus pais lhes disseram? Claro que não! A você não sucedeu o mesmo? Poucas pessoas se detêm a pensar porque crêem, ou porque observam costumes. A maioria de nós aprende a aceitar tudo sem vacilar. Porque sucede isto? Por natureza, temos tendência de fazer o mesmo que fazem os demais… embora estejam errados. Não devemos aceitar esta tendência, antes devemos examinar o que estamos fazendo e para onde estamos indo. Qual foi a origem do Natal? É o Natal realmente a celebração do nascimento do Senhor Jesus Cristo? Nasceu o Senhor Jesus Cristo em 25 de Dezembro? Os Apóstolos que conheceram o Senhor Jesus e foram pessoalmente instruídos por Ele, celebraram Seu aniversário em 25 de Dezembro? Se o Natal é a festa mais importante do cristianismo, porque tantas pessoas que não são cristãs a comemoram? Porque é época de trocar presentes com parentes e amigos? Tem este costume origem nos magos que presentearam o menino Jesus? As respostas podem nos surpreender. A maioria das pessoas supõe muitas coisas acerca do Natal, coisas que realmente não são certas; não fiquemos nas suposições, busquemos fatos.

O que dizem as enciclopédias


A festa de Natal tem sua origem na Igreja Católica Romana e desta se estendeu ao protestantismo e ao redor do mundo. Em que se inspirou a Igreja Católica? Não foi nos ensinamentos do Novo Testamento. Não foi na Bíblia nem nos Apóstolos que haviam sido instruídos pessoalmente pelo Senhor Jesus. O Natal se introduziu na Igreja durante o século IV proveniente do paganismo. Posto que a celebração do Natal foi introduzida no mundo pela Igreja Católica Romana e não tem outra autoridade senão ela mesma, vejamos o que diz a Enciclopédia Católica (edição de 1911): "A festa do Natal não estava incluída entre as primeiras festividades da Igreja… os primeiros indícios dela são provenientes do Egito… os costumes pagãos relacionados com o princípio do ano se concentraram na festa do Natal". Na mesma Enciclopédia encontramos que Orígenes, um dos chamados pais da Igreja, reconheceu a seguinte verdade: "… não vemos nas Escrituras alguém que tenha celebrado uma festa ou celebrado um grande banquete no dia de seu natalício. Somente os pecadores (como Faraó e Herodes) celebraram com grande regozijo o dia em que nasceram neste mundo".
A Enciclopédia Britânica, edição de 1946 diz: "O Natal não constava entre as antigas festividades da Igreja…" Não foi instituída pelo Senhor Jesus Cristo nem pelos Apóstolos, nem pela autoridade bíblica. Foi tomada mais tarde do paganismo. A Enciclopédia Americana, edição 1944 diz: "O costume do cristianismo era celebrar não o nascimento de Jesus Cristo, mas Sua morte. (A comunhão, instituída por Jesus no Novo Testamento é a comemoração de Sua morte). Em memória do nascimento de Cristo se instituiu uma festa no século quarto. No século quinto, a Igreja Ocidental deu ordem de que fosse celebrada para sempre, e no mesmo dia da antiga festividade romana em honra ao nascimento do deus Sol, já que não se conhecia a data de nascimento de Cristo." Tomemos nota deste fato importante. Estas autoridades históricas demonstram que durante os primeiro três séculos da nossa era, os cristãos não celebravam o Natal. Esta festa foi introduzida na Igreja Romana no século quatro e, somente no século quinto, foi estabelecida oficialmente como festa cristã.


O Senhor Jesus não nasceu no dia 25 de Dezembro


O Senhor Jesus Cristo nem sequer nasceu na época do ano em que se comemora o Natal! Quando Ele nasceu "Haviam pastores no campo, que velavam e guardavam seus rebanhos durante as vigílias da noite" (Lucas 2:8). Isto jamais pôde acontecer na Judéia no mês de Dezembro. Os pastores tiravam seus rebanhos dos campos em meados de Outubro e os guardavam para protegê-los do inverno que se aproximava, tempo frio e de muitas chuvas. A Bíblia mesmo prova, em Cantares 2:11 e Esdras 10:9,13, que o inverno era época de chuvas, o que tornava impossível a permanência dos pastores com seus rebanhos à noite no campo.
"Era um antigo costume dos judeus daqueles tempos levar seus rebanhos aos campos e desertos nas proximidades da Páscoa (em princípio da primavera) e trazê-los novamente para casa ao começarem as primeiras chuvas". (Adam Clark Commentary, vol.5, página 370). É também pouco provável que um recenseamento fosse convocado para a época de chuvas e frio (Lucas 2:1). Qualquer enciclopédia ou outra autoridade pode confirmar o fato de que o Senhor Jesus não nasceu em 25 de Dezembro. A Enciclopédia Católica o disse claramente.
A data do nascimento do Senhor Jesus Cristo é totalmente desconhecida. Isto é reconhecido por todas as autoridades. Se fosse da vontade de Deus que guardássemos e celebrássemos o aniversário do Senhor Jesus Cristo, Ele não haveria ocultado esta data.

Como esta festa se introduziu na Igreja?

The New Shaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge (A Nova Enciclopédia de Conhecimento Religiosos de Shaff-Herzog) explica claramente em seu artigo sobre o Natal: "Não se pode determinar com precisão até que ponto a data desta festividade teve origem na pagã Brumália (25 de Dezembro), que seguiu a Saturnália (17 a 24 de Dezembro) e comemora o dia mais curto do ano e o nascimento do deus sol. As festividades pagãs de Saturnália e Brumália estavam demasiadamente arraigadas aos costumes populares para serem suprimidos pela influência cristã. Estas festas agradavam tanto que os cristãos viram com simpatia uma desculpa para continuar celebrando-as sem maiores mudanças no espírito e na forma da sua observância. Pregadores cristãos do ocidente e do oriente próximo protestaram contra a frivolidade indecorosa com que se celebrava o nascimento de Cristo, enquanto os cristãos da Mesopotâmia acusavam a seus irmão ocidentais de idólatras e de culto ao sol por aceitar como cristã essa festividade pagã".
Recordemos que o mundo romano havia sido pagão. Antes do século quarto os cristãos eram poucos, embora estivessem aumentando em número, eram perseguidos pelo governo e pelos pagãos. Porém, com a vinda do imperador Constantino no século quarto, que se declarou cristão, elevando o cristianismo a um nível de igualdade com o paganismo, o mundo romano começou a aceitar este cristianismo popularizado e os novos adeptos somaram a centenas de milhares.
Tenhamos em conta que esta gente havia sido educada nos costumes pagãos, sendo o principal aquela festa idólatra de 25 de Dezembro. Era uma festa de alegria muito especial. Agradava ao povo. Não queriam suprimi-la. O artigo já citado da The New Shaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge explica como o reconhecimento do dia de domingo por parte de Constantino, dia em que os pagãos adoravam o sol, e como a influência do maniqueismo, que identifica o Filho de Deus com o sol, deram motivos aos pagãos do século quatro, agora convertidos em massa ao cristianismo, para adaptar a festa do dia 25 de Dezembro (dia do nascimento do deus sol), dando o título de dia do nascimento do Filho de Deus. Assim foi como o Natal foi introduzido em nosso mundo ocidental! Ainda que tenha outro nome, continua sendo em espírito a festa pagã de culto ao sol. Apenas mudou o nome. Podemos chamar de leão a uma lebre, mas nem por isto não deixa de ser lebre. A Enciclopédia Britânica diz: "A partir do ano 354 alguns latinos puderam mudar de 6 de Janeiro para 25 de Dezembro a festa que até então era chamada de Mitraica, o aniversário do invencível sol… os sírios e os armênios, apegando-se a data de 6 de Janeiro, acusavam os romanos de idolatria e adoradores do sol, sustentando que a festa de 25 de Dezembro havia sido inventada pelos discípulos de Cerinto."

É bíblico a troca de presentes?

Para algumas pessoas este é o ponto mais importante de tudo o que se refere a comemoração do Natal: a época de comprar e trocar presentes. A respeito, muitos exclamarão: "para isto sim temos autorização bíblica! Acaso o Senhor Jesus Cristo ao nascer não recebeu presentes dos magos?" Novamente a verdade surpreenderá. Primeiro vejamos a origem da história do costume de dar presente de Natal para depois ver o que diz a Bíblia a respeito. Citamos o seguinte da Biblioteca Sacra, vol. 12, páginas 153-155: "A troca de presentes entre amigos é característico tanto do Natal como da Saturnália e os cristãos seguramente a tomaram dos pagãos como demonstra com clareza o conselho de Tertuliano". A verdade é que o costume de trocar presentes durante a época natalina, não tem absolutamente nada a ver com o cristianismo! Ainda que nos pareça estranho, ele não celebra o nascimento do Senhor Jesus Cristo nem O honra! Suponhamos que alguma pessoa a quem você estima está aniversariando. Você a honraria comprando presentes para os demais amigos, omitindo a pessoa a quem deveria honrar? Não parece absurdo deste ponto de vista? Contudo, isto é o que precisamente as pessoas fazem em todo o mundo. Observam um dia em que o Senhor Jesus Cristo não nasceu, gastando muito dinheiro em presentes para parentes e amigos. Porém, anos de experiência nos ensinam que os cristãos confessos se esquecem de dar algo ao Senhor Jesus Cristo e a sua obra no mês de Dezembro. Este é o mês do ano que mais sofre a obra de Deus. Aparentemente as pessoas estão ocupadas trocando presentes natalinos que não se lembram do Senhor Jesus Cristo nem de Sua obra. Depois, durante Janeiro e Fevereiro, tratam de recuperar tudo o que gastaram no Natal, de modo que muitos, no que se refere ao apoio que dão ao Senhor Jesus Cristo e Sua obra, não voltam a normalidade até Março.
Vejamos o que a Bíblia diz em Mateus 2:1,11 com respeito aos presentes que levaram os magos quando o Senhor Jesus nasceu: "Quando Jesus nasceu, em Belém da Judéia nos dias do rei Herodes, vieram uns magos do oriente a Jerusalém, dizendo: Onde está o rei dos Judeus que é nascido?… e ao entrar na casa, viram o menino com sua mãe Maria e prostrando-se o adoraram; e abrindo seus tesouros ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra".

Por que levaram presentes?


Notem que os magos perguntaram pelo menino Jesus nascido rei dos judeus. Porém, porque lhe levaram presentes? Por ser o dia do Seu nascimento? De maneira nenhuma! Pois eles chegaram vários dias depois do Seu nascimento. Então não trocaram presentes com seus amigos e familiares, nem entre eles mesmos! Por quê? O mencionado comentário bíblico de Adam Clark, vol. 5, página 46, diz: "Versículo 11 (ofereceram-lhe presentes). No Oriente não se costuma entrar na presença de reis ou pessoas importantes com as mãos vazias. Este costume ocorre com freqüência no Velho Testamento e ainda persiste no Oriente e em algumas ilhas do Pacífico Sul". Aí está. Os magos não estavam instituindo um novo costume cristão de trocar presentes para honrar o nascimento do Senhor Jesus Cristo! Procederam de acordo com um antigo costume oriental que consistia em levar presentes ao apresentar-se à presença do Rei dos judeus. Portanto, levaram ofertas da mesma maneira que a rainha de Sabá levou a Salomão e assim como levam aqueles que hoje visitam a um chefe de estado.
O costume de dar presentes de Natal nada tem a ver com este acontecimento, é apenas a continuação de um antigo costume pagão.

Honra a Cristo realmente?


Agora vejamos um argumento utilizado com freqüência para justificar a observância do Natal. Há quem insista em que apesar de suas raízes em um costume pagão, agora não se observa o Natal para honrar um falso deus, deus sol, senão para honrar ao Senhor Jesus Cristo. O que nos diz a Palavra de Deus a respeito? "… não te enlaces após elas (nações pagãs) em imitá-las; e nem perguntes acerca dos seus deuses, dizendo, do mesmo modo também farei eu. Não farás assim ao Senhor teu Deus, porque tudo o que é abominável ao Senhor, e que odeia, fizeram eles aos seus deuses…" (Deuteronômio 12:30-31). Desta maneira o profeta Jeremias nos adverte com respeito aos costumes tradicionais da sociedade que nos rodeia: "Assim diz o Senhor: Não aprendais os caminhos dos gentios (pagãos)… Porque os costumes dos povos são vaidade..." (Jeremias 10:2-3). Deus disse-nos claramente em seu manual de instruções – a Bíblia – que não aceitará este tipo de culto ainda que seja com a intenção de honrá-lo. Disse-nos que isto é abominável e, portanto não O honra senão aos falsos deuses pagãos. Deus não quer que O honremos "como nos orienta a nossa própria consciência". O Senhor Jesus Cristo disse claramente: "Deus é Espírito; e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade" (João 4:24). O que é verdade? O Senhor Jesus disse que sua Palavra, a Bíblia, é a verdade (João 17:17). A Bíblia diz que Deus não aceitará o culto de pessoas que, querendo honrar ao Senhor Jesus, adotem um costume pagão. Novamente, o Senhor Jesus disse: "Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens" (Mateus 15:9). A comemoração do Natal é um mandamento de homens e isto não agrada a Deus. O Senhor Jesus Cristo disse também: "E assim invalidastes, pela vossa tradição o mandamento de Deus" (Mateus 15:6). Isto é precisamente o que fazem hoje milhões de pessoas. Desprezam o mandamento de Deus. Seu mandamento com respeito a celebração de tradições pagãs para honrar e adorar a Deus é claríssimo; "Não farás assim ao Senhor teu Deus, porque tudo o que é abominável ao Senhor, o que ele odeia, fizeram eles aos seus deuses" (Deuteronômio 12:31). Sem dúvida, a maioria das pessoas invalida este mandamento seguindo a tradição dos homens ao comemorarem o Natal. Não nos enganemos! Deus nos permite desobedecer. Permite-nos seguir os costumes dos homens. Permite-nos pecar. Porém também nos adverte que haverá um dia de juízo em que colheremos o que plantamos!
O Senhor Jesus Cristo é a Palavra Viva e pessoal de Deus, e a Bíblia é a Palavra de Deus escrita. Por essa Palavra seremos julgados para toda a eternidade! Não devemos ignorá-la nem desprezá-la.

Estamos na Babilônia sem saber


O Natal tem sido convertido em uma festa comercial, sustentada em parte pelas companhias e campanhas publicitárias. Em muitos lugares vemos a um "Papai Noel" em disfarce. Os anúncios publicitários nos mantêm enganados sobre o "espirito do Natal". Os Jornais onde são publicados estes anúncios trazem editoriais que exaltam e elogiam a festividade pagã e seu "espírito". As pessoas crédulas estão tão convencidas que muitas se ofendem ao conhecerem a verdade. Porém o "espírito natalino" é revivido cada ano, não para honrar ao Senhor Jesus Cristo, mas para vender mercadorias! Como todos os enganos de Satanás, o Natal também se apresenta como "anjo de luz", algo aparentemente bom. Denominamo-nos como nação cristã, porém sem saber estamos realmente na Babilônia, tal como predisse a Bíblia. Apocalipse 18:4 nos adverte: "Sai dela, povo meu, para que não sejais participantes de seus pecados, nem recebais parte de suas pragas".

Afinal a Bíblia mostra quando nasceu o Senhor Jesus?


Sim, podemos através de alguns detalhes bíblicos; citar cronologicamente o nascimento do Senhor Jesus e verificar que o Seu nascimento foi o cumprimento de uma das mais importantes festas do Velho Testamento – a festa dos Tabernáculos. O Senhor Jesus nasceu na festa dos Tabernáculos, que acontecia a cada ano, no final do sétimo mês (Etenim) do calendário judaico que corresponde ao mês de setembro do nosso calendário. A festa dos Tabernáculos ou Cabanas, significava Deus habitando com Seu povo. Foi instituída por Deus como memorial, para que o povo de Israel se lembrasse dos dias de peregrinação pelo deserto em que o Senhor habitou no Tabernáculo no meio de Seu povo (Levítico 23: 39-44; Neemias 8: 13-18).No Evangelho de João capítulo 1, versículo 14, vemos que o Verbo (Cristo) habitou entre nós. Esta palavra no grego é skenoo – tabernaculou; isto é, a festa dos Tabernáculos cumprindo-se no Senhor Jesus Cristo, o Emanuel (Isaías 7: 14) que significa Deus conosco. No Senhor Jesus Cristo se cumpriu não apenas a festa dos Tabernáculos, mas também a festa da Páscoa, na Sua morte (Mateus 26:2; I Coríntios 5:7), e a festa do Pentecostes, quando enviou o Espírito Santo sobre a igreja. (Atos 2:1).
Vejamos nas Escrituras alguns detalhes que nos ajudarão a situar cronologicamente o nascimento do Senhor Jesus: os levitas eram divididos em 24 turnos e cada turno ministrava por 15 dias, ou seja, 24x15=360 dias ou um ano (I Crônicas 24:1-19); o oitavo turno pertencia a Abias (I Crônicas 24: 10); o primeiro turno iniciava-se com o primeiro mês do ano judaico – mês de Abide (Êxodo 12:1-2; Deuteronômio 16:1; Êxodo 13:4); temos a seguinte correspondência de calendário:

Mês, Nome, Turno, Referência bíblica:


1 Abide ou Nisã Março 1 e 2, Êxodo 13:4; Ester 3:7
2 Zive Abril 3 e 4, I Reis 6:1
3 Sivã Maio 5 e 6, Ester 8:9
4 Tamuz Junho 7 e 8 (Abias), Jeremias 39:2; Zacarias 8:19
5 Abe Julho 9 e 10, Números 33:38
6 Elul Agosto 11 e 12, Neemias 6:15
7 Etenim ou Tisri Setembro 13 e 14, I Reis 8:2
8 Bul Outubro 15 e 16, I Reis 6:38
9 Chisleu Novembro 17 e 18, Esdras 10:9 ; Zacarias 7:1
10 Tebete Dezembro 19 e 20, Ester 2:16
11 Sebate Janeiro 21 e 22, Zacarias 1:7
12 Adar Fevereiro 23 e 24, Ester 3:7


Comecemos por Zacarias, pai de João Batista. Ele era sacerdote e ministrava no templo durante o "turno de Abias" (Lucas 1:5,8,9). Terminado o seu turno voltou para casa e, conforme a promessa que Deus lhe fez, sua esposa estéril, concebeu João Batista (Lucas 1:23-24). Portanto João Batista foi gerado no fim do mês de Tamuz ou início do mês Abe. Agora um dado muito importante: O Senhor Jesus foi concebido seis meses depois (Lucas 1:24-38). Portanto o Senhor Jesus foi concebido no fim de Tebete ou início de Sebate.


Visto estes detalhes nas Escrituras, chegamos à conclusão que João Batista foi gerado em fins de Junho ou início de Julho, quando Zacarias voltou para casa após seu serviço no templo. O Senhor Jesus Cristo foi concebido seis meses depois, no fim do mês de Dezembro ou início de Janeiro. Ele não nasceu em Dezembro ou início de Janeiro. Ele não nasceu em Dezembro como diz a tradição, mas foi gerado nesse mês. Nove meses depois, no final do sétimo mês (Etenim), Setembro do nosso calendário, quando os judeus comemoravam a festa dos Tabernáculos, Deus veio habitar com Seu povo. Nasceu o Senhor Jesus! Deus tabernaculou com seu povo. Nasceu o Emanuel Deus habitando conosco. Amém